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title: "Seguros cibernéticos avançam enquanto fraudes com IA crescem"
author: "Ricardo"
date: "2026-10-09 16:30:00-03"
category: "Seguros"
url: "http://am-pm-seguros.scale.press/portal/am-pm-seguros/post/2026/10/09/seguros-ciberneticos-avancam-enquanto-fraudes-com-ia-crescem/md"
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## Resumo
- Os prêmios de seguro cibernético cresceram 130% entre 2021 e 2025, segundo dados da Susep.
- A CFC atualizou a redação de sua cobertura cibernética para trazer mais clareza sobre riscos ligados à IA.
- Fraudes comprovadas no setor subiram de 1,8% para 3,3% dos prêmios ganhos entre 2021 e 2025.
- Deepfakes de áudio e vídeo cresceram 475% em 2024, aumentando a necessidade de preservar evidências digitais.
- Seguradoras passaram a exigir provas de governança e controles de segurança na avaliação dos riscos.
- Empresas devem revisar acessos, registros, planos de resposta e a clareza das coberturas relacionadas à inteligência artificial.

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# Seguro cibernético evolui para cobrir riscos de IA, ameaças a executivos e interrupção de negócios

**Atualização anunciada pela CFC amplia a proteção para determinados riscos ligados à inteligência artificial e reforça a importância de revisar as coberturas contratadas pelas empresas.**

O avanço da inteligência artificial está transformando não apenas a forma como empresas trabalham, mas também os riscos que precisam administrar.

Em 6 de outubro de 2026, a seguradora especializada **CFC anunciou uma atualização de seu produto Cyber Proactive Response (CPR)**, incluindo proteção expressa para determinados riscos relacionados à inteligência artificial, novas coberturas pessoais para executivos e ampliação do período de indenização para interrupção de negócios.

A mudança ocorre em um cenário de crescente preocupação com ataques cibernéticos, fraudes digitais e dependência de sistemas tecnológicos.

No Brasil, o mercado de seguros cibernéticos também está em expansão. Segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) divulgados pelo setor, o faturamento desse ramo cresceu 121,7% entre 2021 e 2025, alcançando aproximadamente **R$ 228,8 milhões**.

O crescimento mostra que mais recursos estão sendo direcionados à transferência de riscos digitais.

Mas também traz uma pergunta importante para empresários:

**Uma apólice contratada antes da popularização da inteligência artificial continua adequada aos riscos atuais da empresa?**

## CFC passa a tratar expressamente riscos relacionados à IA

A principal novidade anunciada pela CFC é o reforço da chamada *cobertura afirmativa para inteligência artificial*.

Na prática, isso significa utilizar linguagem contratual explícita para esclarecer como determinados riscos envolvendo IA são tratados pelo seguro.

A iniciativa procura reduzir dúvidas que poderiam surgir quando uma apólice não menciona diretamente essa tecnologia.

Esse ponto é relevante porque a inteligência artificial já participa de diferentes atividades empresariais.

Sistemas automatizados ajudam a atender clientes, processar informações, analisar documentos, produzir conteúdos e apoiar decisões.

Ao mesmo tempo, podem surgir incidentes relacionados ao uso indevido dessas ferramentas, à exposição de dados ou ao comprometimento de sistemas.

A CFC vem incorporando referências expressas à IA em diferentes produtos de seu portfólio, incluindo seguros cibernéticos e de responsabilidade profissional.

**A inclusão da inteligência artificial no contrato, entretanto, não significa que qualquer erro ou prejuízo causado por IA esteja automaticamente coberto.**

A indenização continua dependendo dos riscos previstos, das exclusões, dos limites e das demais condições da apólice.

## Executivos também passam a receber proteção específica

Outra mudança anunciada pela CFC envolve riscos pessoais enfrentados por executivos durante incidentes cibernéticos.

Segundo a seguradora, ataques digitais podem ultrapassar os sistemas da empresa e atingir diretamente seus dirigentes.

Entre as situações consideradas estão ameaças, extorsões, assédio e riscos à segurança pessoal associados a determinados incidentes.

A atualização do produto CPR inclui proteções para exposições pessoais de executivos, podendo contemplar despesas relacionadas a extorsão, mudança temporária de residência e acompanhamento psicológico após um ataque.

Essas coberturas estão sujeitas às condições específicas do produto.

A novidade amplia a discussão sobre segurança digital.

Uma tentativa de extorsão pode envolver não apenas a divulgação de dados corporativos, mas também ameaças dirigidas às pessoas responsáveis pelas decisões da organização.

Para empresas, isso reforça a necessidade de incluir a alta liderança nos planos de resposta a incidentes.

## Interrupção de negócios ganha prazo maior de indenização

A CFC também anunciou a ampliação de **12 para 18 meses do período máximo de indenização** previsto em sua cobertura de interrupção de negócios, conforme as condições aplicáveis.

O objetivo é reconhecer que determinadas consequências financeiras podem continuar mesmo depois que os sistemas afetados forem restaurados.

Imagine uma empresa que sofra um ataque e fique vários dias sem acesso a informações essenciais.

Após recuperar os sistemas, ela ainda pode enfrentar atrasos operacionais, dificuldades de atendimento e impactos comerciais relacionados ao incidente.

A recuperação tecnológica, portanto, nem sempre representa a recuperação financeira completa.

A ampliação do período de indenização busca considerar essa diferença.

Isso não significa que a seguradora pagará automaticamente por 18 meses.

A existência de cobertura, o período indenizável e o valor de eventual pagamento dependem do contrato, da ocorrência coberta e da comprovação dos prejuízos.

## Seguro cibernético cresce no Brasil

A evolução das coberturas internacionais acontece em paralelo ao crescimento do mercado brasileiro.

Dados da CNseg divulgados em análises setoriais indicam que o faturamento do seguro cibernético alcançou aproximadamente **R$ 228,8 milhões em 2025**, com expansão de 121,7% em relação a 2021.

O avanço reflete o aumento da atenção empresarial aos riscos digitais e à necessidade de mecanismos de proteção financeira.

O seguro cibernético pode oferecer diferentes coberturas, dependendo do produto contratado.

Entre as possibilidades estão despesas com resposta a incidentes, investigação técnica, recuperação de sistemas, responsabilidade por determinados vazamentos de dados e interrupção de negócios.

Mas os contratos não são todos iguais.

Uma empresa pode possuir cobertura para alguns eventos e continuar exposta financeiramente a outros.

Por isso, a comparação entre apólices deve considerar mais do que o preço.

## Fraudes digitais também pressionam o mercado segurador

A inteligência artificial não está sendo utilizada apenas para melhorar processos empresariais.

Ferramentas de geração de imagens, áudio e vídeo também podem ser exploradas por criminosos para criar documentos falsos, simular identidades e tornar tentativas de fraude mais convincentes.

No mercado segurador brasileiro, um levantamento divulgado pela **Peers Consulting + Technology** apontou que o índice de fraudes comprovadas passou de 1,8% dos prêmios ganhos, em 2021, para 3,3%, em 2025.

O indicador se refere ao mercado de seguros analisado pela consultoria, e não exclusivamente ao seguro cibernético.

Segundo a análise, ferramentas de IA generativa têm sido utilizadas para produzir narrativas falsas e manipular imagens apresentadas em processos de sinistros.

Também cresce a preocupação com identidades sintéticas, que combinam informações reais e fabricadas para simular pessoas ou empresas.

Essas práticas tornam mais importante a verificação da autenticidade dos documentos e a preservação das evidências.

## Deepfakes podem atingir empresas de diferentes tamanhos

Um dos exemplos mais conhecidos de fraude apoiada por inteligência artificial é o *deepfake*.

Essa tecnologia pode ser utilizada para produzir áudios, imagens ou vídeos que simulam a aparência ou a voz de uma pessoa.

Imagine um funcionário do setor financeiro que receba uma ligação aparentemente feita pelo diretor da empresa.

Durante a conversa, o suposto executivo solicita uma transferência urgente para um fornecedor.

A voz parece familiar e o pedido utiliza informações coerentes com a rotina do negócio.

Mas a comunicação pode ter sido fabricada ou manipulada.

Esse tipo de situação demonstra por que a segurança financeira não pode depender apenas do reconhecimento de uma voz ou imagem.

Empresas precisam manter procedimentos independentes para confirmar solicitações de pagamentos e alterações bancárias.

A autenticação deve ser proporcional ao risco da operação, mesmo quando a mensagem parece vir de alguém conhecido.

## Como a empresa pode se preparar para um incidente?

A primeira medida é identificar quais atividades dependem de tecnologia e quais prejuízos poderiam surgir caso esses sistemas fossem comprometidos.

Uma pequena empresa pode depender de um único sistema para registrar pedidos, emitir notas fiscais e receber pagamentos.

Uma organização maior pode utilizar dezenas de fornecedores e plataformas conectadas.

Em ambos os casos, é importante conhecer os pontos críticos.

Algumas medidas práticas incluem:


- **Controlar acessos:** limitar permissões de usuários e utilizar autenticação multifator sempre que possível.
- **Confirmar pagamentos:** estabelecer uma segunda verificação para transferências e mudanças de dados bancários.
- **Preservar evidências:** guardar registros de sistemas, comunicações e documentos originais relacionados a incidentes.
- **Revisar fornecedores:** identificar quais terceiros acessam informações sensíveis ou participam de processos essenciais.
- **Testar a continuidade:** definir como a empresa continuará operando se um sistema importante ficar indisponível.
- **Revisar o seguro:** verificar quais incidentes estão cobertos e como a apólice trata riscos relacionados à inteligência artificial.

Essas medidas não eliminam a possibilidade de ataques, mas ajudam a reduzir vulnerabilidades e organizar a resposta.

## O que verificar no seguro cibernético antes da renovação?

O anúncio da CFC oferece um motivo concreto para revisar contratos.

A empresa deve verificar se a apólice possui linguagem clara sobre incidentes que envolvam inteligência artificial e se há exclusões específicas relacionadas à tecnologia.

Também é importante conferir os limites de indenização, franquias, serviços de resposta a incidentes e condições para cobertura de interrupção de negócios.

Outro ponto é identificar quais situações exigem comunicação imediata à seguradora e quais documentos precisam ser preservados.

A cobertura anunciada pela CFC é uma iniciativa de uma seguradora internacional e **não significa que todos os seguros cibernéticos comercializados no Brasil passaram a oferecer as mesmas proteções**.

A disponibilidade de cada produto e de suas condições deve ser confirmada com o corretor ou a seguradora responsável.

## A proteção digital precisa acompanhar a evolução da empresa

O crescimento do seguro cibernético no Brasil e a atualização das coberturas da CFC mostram que o mercado segurador está buscando responder a riscos tecnológicos cada vez mais complexos.

A inteligência artificial pode aumentar a produtividade, melhorar processos e ajudar na identificação de ameaças.

Mas também cria novas questões sobre responsabilidade, autenticidade das informações e consequências financeiras de incidentes.

Para o empresário, o caminho é combinar prevenção, controles internos, planejamento de continuidade e uma apólice adequada à realidade do negócio.

**O seguro cibernético não substitui a segurança digital. Ele pode complementar essa estrutura ao transferir parte das consequências financeiras de eventos previstos contratualmente.**

A principal pergunta deixa de ser apenas se a empresa possui seguro.

Passa a ser se a proteção contratada acompanha os sistemas, os fornecedores e as tecnologias dos quais a operação realmente depende.

**AMPM Seguros — Informação que protege.**