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title: "Mudança climática ameaça 2,6% da receita da Natura"
author: "Ricardo"
date: "2026-10-07 15:30:00-03"
category: "Seguros"
url: "http://am-pm-seguros.scale.press/portal/am-pm-seguros/post/2026/10/07/mudanca-climatica-ameaca-26-da-receita-da-natura/md"
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## Resumo
- A Natura identificou R$ 584,2 milhões em vendas expostas a riscos climáticos na Amazônia.
- O valor equivale a 2,6% da receita líquida da companhia em 2025.
- Castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru estão entre os ingredientes sujeitos a estresse hídrico e aos efeitos do El Niño.
- Cinco instalações críticas, equivalentes a 42% do total analisado, estão expostas a ondas de calor e tempestades.
- As perdas anuais em infraestrutura foram estimadas entre R$ 45,5 milhões e R$ 53,5 milhões no curto prazo, podendo chegar a R$ 1,5 bilhão no longo prazo.
- A Natura possui R$ 6 bilhões em cobertura de seguros e planeja ampliar estoques, cultivos e investimentos em agroindústria.
- O caso mostra como mapear dependências ambientais ajuda a proteger fornecimento, receita e continuidade operacional.

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**A Natura** publicou seu primeiro relatório de sustentabilidade alinhado aos padrões internacionais IFRS S1 e S2. O documento calcula que mudanças climáticas na Amazônia expõem **R$ 584,2 milhões** em vendas, valor equivalente a **2,6% da receita líquida de 2025**. A exposição está ligada a produtos dependentes de castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru. Para quem administra uma empresa, o dado muda a forma de olhar para risco climático: ele deixa de ser apenas tema ambiental e passa a entrar na conta de fornecimento, receita e continuidade operacional. O [relatório divulgado pela companhia](https://c-level.folha.uol.com.br/economia-sustentavel/2026/10/natura-diz-que-mudanca-climatica-na-amazonia-poe-em-risco-26-da-receita-liquida.shtml) oferece uma referência para transformar dependências ambientais em números de gestão.

## A dependência da Amazônia chega à receita

O cálculo nasce da vulnerabilidade das cadeias de suprimento ligadas aos bioingredientes amazônicos. A fonte aponta que castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru estão sujeitos a eventos climáticos extremos, como **estresse hídrico** e os efeitos do fenômeno El Niño. A leitura do documento aponta riscos altos para **2030** e muito altos para **2050** sob projeções de aquecimento global. Para a gestão empresarial, essa diferença de horizonte ajuda a separar uma pressão que exige resposta imediata de uma exposição que precisa entrar no planejamento de longo prazo, na seleção de fornecedores e na avaliação de investimentos.

Essa dependência ajuda a traduzir o risco climático para uma situação concreta de caixa. Imagine que uma empresa utilize um ingrediente natural sem acompanhar a disponibilidade, a origem e as condições de produção desse insumo. Uma alteração no fornecimento pode afetar compras, fabricação, prazos de entrega e vendas, mesmo que a unidade industrial permaneça funcionando. O ponto central do caso da Natura é que a receita exposta foi quantificada, permitindo relacionar a dependência ambiental ao desempenho financeiro. Esse mesmo raciocínio pode orientar empresas menores que trabalham com matérias-primas agrícolas, florestais ou ligadas a cadeias sensíveis ao clima.

## O risco também passa pela infraestrutura

A exposição identificada pela companhia não termina nos ingredientes. O mapeamento alcançou **cinco instalações críticas**, equivalentes a 42% do total analisado, que estão sujeitas a riscos físicos como ondas de calor e tempestades. A Natura estimou perdas anuais entre **R$ 45,5 milhões e R$ 53,5 milhões** em infraestrutura no curto prazo, com possibilidade de chegar a R$ 1,5 bilhão no longo prazo. Para o gestor, a leitura prática é direta: proteger o estoque não basta quando fábricas, centros de distribuição e outros pontos essenciais também podem interromper a operação.

Além da estrutura física, o levantamento incluiu custos regulatórios associados ao futuro mercado de carbono brasileiro e à logística reversa. Essas despesas foram estimadas entre **R$ 26,4 milhões e R$ 101,4 milhões** no médio prazo, variando conforme a precificação de carbono e a eficácia das metas de redução de emissões do escopo 3. A informação amplia o conceito de continuidade de negócios, porque a pressão financeira pode vir tanto de um evento climático quanto da adaptação exigida para operar sob novas regras. A empresa que acompanha apenas o patrimônio físico deixa parte relevante da exposição fora da análise.

## Seguro e prevenção precisam trabalhar juntos

Esse mapeamento ajuda a explicar por que a Natura informa possuir **R$ 6 bilhões em cobertura de seguros**. O seguro funciona como uma camada financeira para os riscos que podem ser transferidos dentro de uma contratação, enquanto estoques, fornecedores alternativos e investimentos produtivos atuam na redução da dependência operacional. O valor da cobertura, por si só, não permite concluir que toda a receita exposta esteja protegida. É necessário relacionar os bens, as interrupções possíveis e os limites contratados ao impacto que a empresa calculou. A análise publicada pela [Capital Reset sobre os riscos climáticos da Natura](https://capitalreset.uol.com.br/financas/ingredientes-logistica-e-regulacao-natura-mapeia-seus-riscos-climaticos/) mostra a dimensão dessa avaliação integrada.

Na prática, a companhia planeja combinar proteção financeira com medidas diretamente ligadas ao fornecimento. Entre as ações anunciadas estão a formação de **estoques de castanha**, a expansão do cultivo de cupuaçu e novos investimentos na agroindústria de murumuru. Cada iniciativa responde a uma parte da exposição: o estoque cria margem para atravessar oscilações de oferta, o cultivo amplia a capacidade de abastecimento e a agroindústria aproxima a empresa das etapas de processamento. Para outros negócios, a lição é avaliar quais medidas operacionais reduzem a dependência antes de definir o tamanho da proteção securitária necessária.

## Transparência transforma risco climático em decisão

Outro aspecto do relatório é a decisão de manter a divulgação voluntária mesmo depois de a **CVM** revogar, em maio de 2026, a obrigatoriedade de relatórios financeiros de sustentabilidade para empresas de capital aberto. A Natura afirmou que traduzir riscos climáticos em impactos financeiros é estratégico para a resiliência do negócio. Ao continuar usando os padrões IFRS S1 e S2, a companhia mantém critérios internacionais auditáveis e comparáveis, segundo as informações divulgadas. Para o mercado, a escolha coloca dependências ambientais, custos e exposição patrimonial no mesmo campo de análise usado para outras decisões financeiras.

Essa escolha também amplia o uso do relatório dentro da administração. O documento detalha como os riscos climáticos influenciam a **estratégia, o desempenho, a posição financeira e o custo de capital** da Natura. A companhia integra a gestão climática à tomada de decisão e mantém o compromisso de se tornar um negócio 100% regenerativo até 2050. Para um gestor, o aprendizado é organizar as informações antes que um evento pressione o caixa: identificar os pontos de dependência, atribuir valores possíveis às perdas e acompanhar como exigências ambientais podem alterar despesas, investimentos e acesso a capital.

## O próximo passo para empresas expostas ao clima

A partir desse exemplo, o primeiro passo é montar um **mapa de dependências ambientais**. O levantamento deve mostrar quais matérias-primas vêm de regiões sensíveis, quais fornecedores concentram o abastecimento, quais instalações interromperiam a operação e qual parcela da receita depende desses pontos. Em seguida, o gestor precisa transformar cada vulnerabilidade em valor financeiro, separando perda de estoque, paralisação, atraso logístico, custo de substituição e eventual redução nas vendas. Esse diagnóstico permite conversar com fornecedores, planejar reservas e avaliar a proteção disponível com base no impacto real do negócio.

Em seguida, a revisão da proteção patrimonial deve acompanhar esse mapa. Cobertura pode ser entendida como a proteção prevista para determinado dano, bem ou interrupção, dentro das condições contratadas. Por isso, a análise precisa verificar se os valores segurados conversam com o patrimônio atual, com o custo de recomposição e com a receita que deixaria de entrar durante uma paralisação. Também convém registrar as medidas de prevenção adotadas, como estoques, diversificação de fornecedores e planos de continuidade. O caso da Natura mostra que **risco climático** precisa ser tratado como uma variável financeira acompanhada antes do imprevisto, e não apenas depois dele.

O próximo passo concreto é repetir esse exercício em ciclos definidos e atualizar os valores sempre que houver mudança em fornecedores, instalações, produtos ou exigências regulatórias. A Natura quantificou uma exposição de **R$ 584,2 milhões** e anunciou medidas para reduzir a vulnerabilidade de suas cadeias, enquanto mantém uma cobertura de seguros de R$ 6 bilhões. Para empresas de qualquer porte, a lógica é a mesma: saber onde o clima pode atingir o negócio, estimar quanto isso custaria e combinar prevenção operacional com proteção financeira. Essa sequência transforma incerteza em planejamento e dá ao gestor mais controle sobre a continuidade da operação.